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REFINARIA DE ANTIMÓNIO EM SINES, UM PERIGO AMBIENTAL AO SERVIÇO DA INDÚSTRIA MILITAR

REFINARIA DE ANTIMÓNIO EM SINES, UM PERIGO AMBIENTAL AO SERVIÇO DA INDÚSTRIA MILITAR

O governo, através da AICEP Global Parques, anunciou recentemente a instalação de uma refinaria de antimónio em Sines,

O antimónio é um metal essencial para o desenvolvimento de grandes empresas tecnológicas, nomeadamente para equipamentos bélicos, como produção de balas, cartuchos, estilhaços ou em dispositivos de visão noturna e radares.

Depois da China, que é o maior produtor de antimónio, ter colocado limites à sua exportação e do Irão ter descoberto uma enorme reserva, aumentou a vulnerabilidade das cadeias de abastecimento dos mercados ocidentais, o que levou a um aumento brusco dos preços. Não por acaso, o departamento de defesa dos EUA classificou o antimónio como mineral critico e vital para a sua segurança nacional e a União Europeia intensificou a procura e armazenagem deste recurso estratégico.

Depois do anúncio de um “cais para uso militar” em Sines, tudo indica que o principal cliente do antimónio seja o poderoso lobby industrial-militar europeu ao serviço da NATO. Pelos vistos querem colocar Sines cada vez mais no centro de uma rota de perigosas tensões geopolíticas provocadas pela disputa de recursos naturais das potencias imperialistas à escala global. 

Mas, a operação industrial com antimónio está também associada a enormes riscos ambientais e de saúde pública para as populações e os trabalhadores. Trata-se de um metal potencialmente cancerígeno e altamente tóxico, com elevada capacidade de contaminação das águas e por via atmosférica. 

A Comissão Europeia com a aprovação de um chamado “Green Deal Industrial Plan”, tem querido fazer de Sines um local preferencial para um grande processo de reindustralização que dizem ser “verde” com investimentos de milhões de euros em centrais de dados, lítio, hidrogénio, aço, que exige um consumo de energia sem precedentes. A reboque da satisfação dos interesses de algumas das maiores tecnológicas do mundo e das exigências determinadas pelas tensões geopolíticas, Sines passará a consumir 60% da energia nacional, sem que haja quaisquer preocupações ao nível da habitação e dos equipamentos sociais, na saúde, no ensino, na cultura e no lazer.

Apesar de apregoadas como “verdes”, evocando uma transição energética e digital limpas, estas indústrias têm um elevado impacte ambiental, destruição dos nossos recursos naturais e das atividades económicas tradicionais, como a agricultura e a pesca, a paisagem e também o turismo. São investimentos despojados de sensibilidade social e ambiental. Não introduzem quaisquer transformações nos modos de produção, não cortam emissões e não reduzem a dependência de combustíveis fosseis, acelerando a crise climática. 

Este modelo de desenvolvimento e esta estratégia está-nos a ser imposta pela Europa e pelos governos. As autarquias submetem-se quando não os promovem mesmo. Não há qualquer consulta às populações.

O Bloco de Esquerda, preocupado com esta situação, nomeadamente com a nova refinaria de antimónio, exige do Governo, Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral (CIMAL) e Autarquias Locais que:

 - Sejam transparentes e intransigentes na defesa das populações, do ambiente e da Paz.

-  Promovam o esclarecimento público sobre os impactos sociais e ambientais desta nova unidade industrial e qual o destino final deste novo metal a refinar em Sines.

- Seja suspenso o processo de reconhecimento de Projeto de Interesse Nacional (PIN), submetido pelo promotor.

A área industrial de Sines já está por demais sacrificada. Reclamamos um planeamento público e democrático, que responda às reais necessidades das pessoas, investindo em habitação acessível, saúde, educação, transportes, numa transição justa e com empregos dignos.