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CAIS MILITAR EM SINES, NÃO OBRIGADO!

CAIS MILITAR EM SINES, NÃO OBRIGADO!

Numa entrevista à rádio, no meio de anúncios de investimentos torrenciais para Sines, à boleia de 90 milhões de euros para ampliação do porto, com a construção de um novo cais, o presidente da Administração do Porto de Sines (APS) faz uma revelação extraordinária – a sua utilização também para fins militares.
1.
Um cais para uso militar é uma coisa demasiadamente séria para ser anunciada de forma tão fresca e leve. Mais do que a militarização de Sines e de toda a região, torna-se um alvo estratégico em qualquer conflito internacional, coloca em risco a segurança civil e aumenta risco de acidentes industriais de grande escala, dada a grande presença de uma indústria de combustíveis fosseis.

O Bloco de Esquerda manifesta a sua firme oposição à construção de um cais para uso militar no Porto de Sines.
2.
Este investimento resulta da imposição de Donald Trump, para que os países da NATO aumentem as suas despesas em defesa, até 5% do Produto Interno Bruto (PIB). A intenção do governo de direita do PSD/CDS e dos que o apoiam neste assunto é chegar lá rapidamente, mesmo que para isso seja necessário violar a Constituição da República Portuguesa.

Trump desenvolve uma estratégia belicista e impõe a corrida aos armamentos. O seu discurso arrogante e cínico sobre a escalada da guerra na Ucrânia e o genocídio em Gaza já pouco esconde da sua loucura que nos pode atirar para um novo conflito internacional de proporções extremas.

A União Europeia já é uma das maiores potências mundiais quanto a capacidade militar instalada. Querem-nos agora fazer acreditar que para nos defendermos de supostos “invasores” temos de reabilitar a indústria militar, quando o que se está a promover é o negócio das empresas do poderoso lobby industrial-militar europeu e americano.
3.
Mas tudo isto no que se refere ao cais militar de Sines é feito e decidido de costas das populações, sem transparência, sem debate, sem verdade.

Governo, Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral (CIMAL) e as Autarquias Locais que a integram são cúmplices nos planos e nos silêncios. Devem uma explicação à população. Aliás, é isto que se tem verificado nos últimos anos relativamente aos novos investimentos em Sines. Não há informação e não há debate público. O planeamento da região deve ser público e democrático, tem de envolver a comunidade.

O Bloco de Esquerda exige transparência, verdade e debate sobre a intenção de construir um cais militar no porto de Sines.

Do que Sines e a região precisam é de responder às reais necessidades das pessoas. O dinheiro dos contribuintes deve ser investido em habitação acessível, saúde, educação, numa transição justa e com empregos dignos.

O futuro é a paz, a justiça social, a sustentabilidade ambiental e não a guerra!

Comissão Coordenadora Concelhia do Bloco de Esquerda de Santiago do Cacém